Panssexual é a pessoa que sente atração, desejos, vontades sexuais, românticas ou emocionais, por uma pessoa independentemente de seu sexo ou identidade de gênero.
Ficamos felizes que você tenha decidido participar do nosso projeto, aqui nessa aba é onde você pode compartilhar sua historia de vida.
Vamos lá!? Tem alguem esperando para ser inspirado por você!
Trouxemos para vocês algumas entrevistas de pessoas reais do nosso dia-a-dia, ao contararem suas histórias vocês não prescisam seguir essa fórmula, sintam-se livres nas suas narrativas!
Nome ou Nome Social: Elen Freire
Idade: 18 anos
Gênero: Mulher cis
Orientação sexual: Pansexual/Panromântico
Formação (Faculdade ou curso): Estudante de comércio internacional
1 - Como você se descobriu?
“O meu processo de descoberta foi a pior época da minha vida. Aconteceu quando eu tinha uns 12 ou 13 anos, e eu perdi o meu BV com uma garota. É difícil explicar como me senti, mas me lembro de ficar arrasada por achar que era lésbica. Simplesmente não aceitava que podia ter gostado de beijar uma menina e acabei começando a odiar a mim mesma.Eu sabia da existência de pessoas lgbtq+, mas fui criada de uma forma que para mim era algo que não era natural. Então acabei entrando em um conflito interno e ficando deprimida.
Eu não saía da minha cama para absolutamente nada, não comia, não tomava banho, não usava o banheiro. Ficava literalmente 24h deitada com os olhos fechados e isso aterrorizou minha família.Minha irmã ia todo dia checar se eu estava viva e minha mãe poderia jurar que eu tinha sido abusada sexualmente. Mas, na verdade eu estava tendo um conflito direto comigo mesma. Na época eu ainda não tinha amigos porque era bem introvertida e sentia medo de conversar com alguém da minha família porque para mim eu ia ser “apedrejada” .
Chegou um momento que minha mãe literalmente me arrastou para fora do meu quarto e me obrigou a ter uma rotina. Então depois de meses em conflito comigo mesma decidi ficar com um menino. E percebi que também gostava de meninos, então decidi ficar somente com meninos e dar uma de hétero. Foi ai que li em um livro de um escritor que amo, um dos personagens, que é o meu favorito por acaso, sentia atração por alguém do mesmo sexo que ele e decidi pesquisar isso na internet, acabei descobrindo que existia todo um fandom pra eles ficaram juntos. E eu lia as Fanfics e o que no começo era super esquisito para mim, eu comecei a achar fofo.
E na mesma época eu acabei me aproximando de duas meninas, hoje minhas melhores amigas, que assistiam anime e então decidi ver também, foi aí que eu descobri um gênero chamado Yaoi, que são romances entre dois homens. O Yaoi me fez perceber que o que importa não é o gênero de uma pessoa, mas sim se você gosta ou não dela. Então eu decidi experimentar, ficar com pessoas diferentes independente de ser homem ou mulher e decidi que era Bissexual. Eu também entrei em um grupo de whatsapp sobre Yaoi, e foi lá que eu tive meu primeiro contato com pessoas lgbtqi+. Pessoas que criei uma amizade forte, alguns tenho até hoje e foi lá também que eu descobri a palavra pansexual. Porque até então, para mim, ou você era bi, ou você era hétero ou você era homo. Só que não, quando essa pessoa falou ser pan nesse grupo fiquei extremamente curiosa. Foi aí que eu comecei a pesquisar mais sobre isso e descobri que existe um uma infinidade de outros termos que não conhecia. Com as minhas novas experiências, meu novo conhecimento sobre o assunto e meus amigos online consegui entender quem eu era, e aos poucos fui desconstruindo os ideais que cresci construindo.
Eu entendi que era pansexual e aos poucos, bem aos poucos, conforme os anos aceitei isso para mim. Hoje em dia sou bem aberta sobre a minha sexualidade, continuo aprendendo e desconstruindo a mim mesma.”
”Olha, na minha família só existem 2 pessoas que eu fui lá e falei: Sou pansexual!
A primeira foi a minha prima, que eu cresci com ela e é como uma irmã mais nova para mim. Um dia quando ela dormiu na minha casa nos estávamos conversando e eu contei pra ela. A outra pessoa é a minha irmã mais velha, foi em um dia em que eu estava decidida a contar pra minha mãe que era pan, a gente teve um dia só, nós fomos no cinema, comemos fora, fizemos compras e quando percebi a gente estava indo embora e simplesmente não tive coragem para contar, foi aí que eu mandei uma mensagem para a minha irmã. Eu disse basicamente: Eu pretendia contar isso para a mãe hoje mas não tive coragem kkkkk eu sou pansexual.Eu não expliquei era, estava preparada para ela perguntar o que era, mas ela decidiu pesquisar e me respondeu mais tarde que ela ia me apoiar e que ela estava feliz de saber que confiei nela sabendo como era nossa família.
Meus pais, acho que eles desconfiam que tenha algo diferente comigo, eles me perguntaram várias vezes se eu era lésbica. Quanto ao resto da minha família, não é como se eu escondesse, mas também não é como se saísse falando para eles. Tipo tá na bio do meu Instagram.
Eu já falei sobre isso com minhas primas em uma viagem, elas já sabiam minha sexualidade por causa disso. Mas, estou sempre mentalmente preparada para ser rejeitada a qualquer momento por alguém da minha família. Eu já sou meio excluída mesmo, a única coisa que me preocupava eram meus avós, mas os dois faleceram a um tempo atrás então realmente não me importo mais.”
”Como eu mencionei antes, consegui apoio com meus amigos online que fiz através de um grupo de Yaoi no whatsapp. Mas, depois de um tempo minhas amizades na vida real também souberam sobre a minha sexualidade e sempre deixaram claro que iriam continuar comigo. Eles também continuaram a me tratar como antes, e isso sinceramente já fez eu me senti tão feliz porque continuo sendo eu, uma pessoa normal independe da minha sexualidade!”
“Eu sou uma mulher cis gênero então não acho que afeta meu dia a dia, geralmente só quando as pessoas descobrem minha sexualidade elas tendem a ficar estranhas no começo e desconfortáveis, mas eu continuo sendo eu mesma e geralmente isso passa ou a pessoa acaba se afastando de mim. É um privilégio.”
“Eu nunca trabalhei, se eu fiz algum trabalho ele foi voluntário.”
“Depende de que forma ele aparece. Existe o preconceito direto e o indireto, geralmente com o preconceito indireto a pessoa não percebe que ela está tento um preconceito e isso é natural, todo mundo que não conhece tem um preconceito. Então, tento educar a pessoa com o melhor dos meus conhecimentos e explicar pra ela que não é bem assim, ajudando-a entender melhor as coisas. Agora quando é uma coisa mais direta, eu simplesmente evito a pessoa. Eu tento ao máximo ficar longe de lugares e pessoas que eu sei que escolheram a ignorância e não aceitam mais conhecimento, o que muitas vezes leva a violência.
Eu tenho sorte de nunca ter sido agredida ou xingada, mas já aconteceu de um cara dizer coisas horrendas pra mim e uma menina que eu ficava por ele ver a gente mais como um fetiche do que como pessoas. Eu lidei com isso deixando bem claro para ele que nós não somos um fetiche e que se ele fizesse alguma coisa iríamos denunciá-lo por assédio.Geralmente não confronto essas pessoas, mas dependendo da situação o confronto é necessário.
A única coisa que eu não aceito, é quando saio com algum amigo trans ou não binário e as pessoas se recusam a usar o pronome correto, eu vou sempre corrigir a pessoa até ela começar o pronome correto!”
“9, só não dou um 10 porque os amigos que eu tinha na época não podiam me ajudar com essas coisas, então precisei fazer amigos novos que podiam.”
“Ignorância. Inclusive ignorância dentro da comunidade lgbtqi+. Tanto que a geração mais atual, que cresce com a internet e tem mais contato com outras pessoas além da família, são muito mais abertos às coisas e mais empáticos. Conhecimento é tudo!”
“Sim e talvez, ao mesmo tempo que a sociedade vai se desconstruindo as pessoas continuam se colocando em grupos e todos querem estar certos, isso acaba gerando alguns conflitos. A própria comunidade lgbtqi+, que são de pessoas que passam pela mesma coisa, tem conflitos. Algumas pessoas acham que os trans não deveriam fazer parte, outras que pansexual e bissexual são a mesma coisa, outras que só existem duas sexualidades, outras que você não pode simplesmente ser Queer, mas que você tem que se encaixar em algum lugar na sigla lgbtqi+ que vai cada vez mais adicionando letras.
Sinceramente acho impossível o mundo virar uma utopia, porque sempre vão ter opiniões diferentes, culturas diferentes, ideais diferentes e as vezes eles acabam em conflito uns com os outros. Até resolver tudo, muito provavelmente o aquecimento global já vai ter destruído o mundo. Mas, fico feliz que essas discussões existem, porque são elas que ajudam as pessoas a se desconstruírem.”
“Primeiro, relaxa, não é o fim do mundo e não tem nada de errado com você! Segundo, se descubra no seu tempo. Você não precisa definir o que você é se você não se sente confortável se colocando em um grupo, você é você e é isso que importa. E se for o contrário e você se sentiria melhor se encaixando em um grupo, não tem problema mudar de grupo eu mesma passei de hétero, para lésbica, para bissexual, para pansexual. O importante é você ser feliz, não precisa se fixar em ser só uma coisa. E sério, não precisa se forçar a experimentar coisas diferentes se você não quiser, me demorou um bom tempo pare poder beijar uma garota de novo e to feliz que esperei entender como eu me sentia antes de tomar qualquer decisão. E terceiro, se você quiser você não precisa “sair do armário”, toma seu tempo pra as coisas e faz as coisas do seu jeito.”
Buscando sempre a confiança de vocês em nosso trabalho, gostamos de provar, sempre que possível, que as entrevistas são reais, por isso deixaremos a seguir uma rede social de escolha da Elen, para que vocês possam conferir que realmente se trata de uma pessoa de verdade!
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