Bissexual

Bissexual é a pessoa que sente atração, desejos, vontades sexuais, românticas ou emocionais, com pessoas de ambos os sexos.

Ficamos felizes que você tenha decidido participar do nosso projeto, aqui nessa aba é onde você pode compartilhar sua historia de vida. Vamos lá!? Tem alguem esperando para ser inspirado por você!

Precisando de mais inspiração?

Diego

Trouxemos para vocês algumas entrevistas de pessoas reais do nosso dia-a-dia, ao contararem suas histórias vocês não prescisam seguir essa fórmula, sintam-se livres nas suas narrativas!


Nome ou Nome Social: Juliana Amorim

Idade: 23 anos

Gênero: Mulher Cis

Orientação sexual: Bissexual

Um sonho: Viajar o mundo ao lado da minha futura esposa.

1 - Como você se descobriu?
"Na verdade, eu fui descoberta. Já tive atrações por 3 mulheres, mas nunca levei a frente a ideia de ficar com uma. Por medo de gostar e não gostar. Até que surgiu a minha atual namorada. Ela não despertou nada em mim de início, pra mim não passava de uma amizade, mas daí ela deu vestígios que me queria, começou a me cobiçar e quando vi, já estávamos se beijando. A partir desse primeiro beijo me apaixonei por ela. E detalhe, ela também era hétero e a vontade dela passou ser a mesma que a minha, ficarmos juntas."

2 - Como foi falar com sua família sobre o assunto?
"Pra alguns foi fácil já outros nem tanto. Contei primeiro pra minha mãe, porque não me sentia bem em mentir já que somos tão próximas e amigas. Meu medo era de desapontá-la, mesmo sabendo que ela não me deserdaria por isso. Eu só tinha medo que isso nos afastasse e pudesse machucá-la. Não foi fácil pra ela de início. O que ela fez no momento que soube foi dizer que me ama e que minha felicidade é a dela. O meu irmão aceitou de boa. Mas, meu pai não recebeu muito bem a notícia. Ele não me deserdou e nem me tratou mal. Mas, disse que não aceitaria minha namorada na casa dele. Ficou decepcionado."

3 - Onde conseguiu apoio durante esse processo de auto descoberta?
"Não precisei exatamente de apoio, estava certa do que queria e já tinha demorado muito pra experimentar essa parte da minha vida. Mas o fato da minha namorada estar fechada comigo me ajudou muito. Seria mais difícil sem ela. E dois dos meus melhores amigos me incentivaram a buscar minha felicidade (Mateus e Flávia, muito obrigado, eu amo vocês!). E a minha mãe que me deu forças pra eu continuar me permitindo ser feliz. Sem ela o processo seria árduo. (Você é minha vida mãe! Eu te amo incondicionalmente!)"

4 - Sua opção sexual e gênero afeta você no dia-a-dia? Caso sim, como lida com isso?
"Afeta somente no fato de não temos livre arbítrio para andar de mãos dadas e nos beijar em público sem ter olhos e bocas que nos condenem. Lidamos com isso de uma forma que ponderamos nossas atitudes e avaliando se pode ou não estar trocando carinhos. Como na frente de crianças ou familiares. E quando estamos a sós, podemos fazer o que queremos e fantasiar o que bem entender." 

5 - Sentiu alguma resistência do mercado de trabalho em relação a você? Caso sim, como lida com isso? 
"Quando me relacionei com ela já estava empregada e na empresa, havia uma política de não poder se relacionar entre si (Era proibido relacionamento entre funcionários da mesma empresa). Com isso mantemos nosso relacionamento em sigilo. Foi muito difícil, ao mesmo tempo que estávamos próximas, também estávamos longe e os desejos a flor da pele. Quando havia oportunidade era fora do trabalho e cada beijo, cada toque, era aproveitado, sentido… quase não dormíamos. A endorfina, noradrenalina e a dopamina estavam presentes e faziam questão de ser o mais intenso possível."

6 - Como você lida com o preconceito?
  "O preconceito infelizmente só passei dentro de casa. Por enquanto só com o meu pai. Ele não aceita ver minha namorada e eu juntas. E como ainda resido na mesma casa que ele, tenho que me submeter a isso. Mas, também estou dando o espaço que ele precisa pra digerir e aceitar aos poucos tudo isso. Já que foi tudo muito incomum pra ele. Então, por enquanto, tenho que ter paciência."

7 - De 1 a 10 (sendo 1 nada e 10 muito importante) qual o nível de importância que você daria a seus amigos durante o seu processo de auto descoberta?
"No início de tudo, não pude expor minha parceira e nem a mim. Revelei pra primeira pessoa após 3 meses de relacionamento. Eu daria uma escala de 5. Querendo ou não, passei muita coisa só. Mas, queria partilhar minha felicidade com eles, queria conselhos, queria o acolhimento também. Mas, consegui passar pelo processo mais difícil sozinha. Portanto, 5 é minha escolha."

8 - Na sua opinião, qual a causa do preconceito da sociedade em relação a comunidade? 
"Eu entrei nessa comunidade lgbtqi+ a 9 meses. Mas, desde sempre acreditei que a oposição da sociedade heterossexual fosse não encarar como normalidade que duas pessoas do mesmo sexo, pudessem amar e sentir prazer tanto quanto as de sexo oposto. Ainda tem a mente primitiva de que o homem é feito pra mulher e vice versa. Mas, tem casos de a sociedade gay não respeitar as famílias e um acaba pagando por todos. Uma atitude indisciplinada que um gay toma, vale por toda comunidade."

9 - Na sua opinião, a sociedade tem se tornado mais desconstruída? Caso sim, acha que estamos caminhando para um futuro melhor? 
"Eu prefiro acreditar que sim. Mas, a cada conquista que temos, é como se houvesse um regresso. Mas, estamos sim em caminho de um futuro melhor. Pelo menos é isso que os índices dizem. Em 1963 a 2011 foram registrados 3.605 assassinatos por homofobia. E entre 2011 a 2018 foram feitas 529 denúncias em casos de homofobia. Até que esses índices diminuam ainda temos muito o que fazer e muito a ser conquistado. Mas, há um progresso sim."

10 - O que você diria para as pessoas que estão se descobrindo agora, qual conselho daria?
"Eu diria, se permita. A vida é uma só e não há erros. Tudo o que passamos é pura experiência e consequentemente aprendizado. Eu escolhi viver e fazer valer a pena esse novo formato de viver, porque encontrei uma pessoa que valesse a pena, e a tentativa de experimentar, vivenciar e permanecer neste novo formato. No início é complicado. Achei que estivesse ficando louca, lutei contra mim mesma. Mas um dia fui tirar a prova dos noves e saí com um homem que me sentia atraída, e no ato da relação não senti nada, só pensava nela e de como a queria. Voltei pra casa, e ali eu me permitir viver. E hoje ela é minha felicidade, é o amor da minha vida e pra minha vida."

Buscando sempre a confiança de vocês em nosso trabalho, gostamos de provar, sempre que possível, que as entrevistas são reais, por isso deixaremos a seguir uma rede social de escolha da Juliana, para que vocês possam conferir que realmente se trata de uma pessoa de verdade!


Juliana Amorim



Hora da sua história! Estamos ansiosos para ler!

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